Apercebi-me que afinal até gosto de estar sozinha. É como se observássemos mais o que está à nossa volta. Ouvíssemos o que nos rodeia. Os pássaros na rua, o cão do vizinho a ladrar, os carros a passar...é como se saíssemos do nosso corpo e nos materializássemos para o resto do mundo, já que tudo está à nossa mercê.
Faço o que quero, como quero, com quem quero, sem ter de dar explicações alheias nem justificações.
Amo-me como sou e fico feliz com a minha companhia. Os meus pensamentos já não são negros como outrora. São confusos e cheios de incertezas, mas com muita fé, força e perseverança. Nunca estive tão forte. Acho que no fundo, encontrei parte da liberdade que procurava. Liberdade para agir, pensar, amar e odiar. Para acordar, comer ou beber, trabalhar ou dormir se quiser. Sermos livres não é realmente estarmos no meio selvagem. É estarmos fixos num sitio por vontade própria, e ainda assim, o nosso espírito viajar para onde desejar, sem restrições.
A liberdade só se alcança quando a alma, e não o corpo, está livre.