quinta-feira, 11 de maio de 2017

11/05/17

  Palavra do dia: Passado. Remete-nos imediatamente para a nostalgia do ser. Aquele vazio no peito que não conseguimos explicar. Dizem que o passado nos molda a sermos como somos no presente e que influência o futuro. Em certa parte é verdade...o passado ajuda-nos a aprender com ele. Tentativas falhadas, fracassadas. Ensina-nos a dar valor a quem está presente, no presente. A dizer adeus, a perdoar e a chorar. Ajuda-nos a moldar um futuro ilusório, idealizado unicamente para consolar o presente. Pois para mim, o presente é tudo.
  Uma mescla de sentimentos, emoções, acções que, agregadas a muita determinação, formam o agora, idealizado ou não. Mas apesar de o passado influenciar a tomada de decisões, inconscientes ou não, é no presente que está a chave para realizar, fazer acontecer, sonhar. É no agora que vivemos; porquê pensar num passado e futuro distantes, se é no agora que sentimos mais, que liberta na nossa pele o suor do pensar e do sentir. É no agora que temos poder para dizer "basta!" ao passado e "esperai!" ao futuro. É no agora que está tudo.O resto é romance.
O futuro é unicamente especulativo, mas o passado...esse é definitivo. E já foi.

10/05/17

  O ser humano procura sempre o amor em todo o lado. Nas pessoas, nos animais. Estejam onde estiverem, tudo aquilo que procuram é agradar para os amarem.
  Pois eu gosto de ser banhada pelo sol num dia de chuva. De sentir que sou especial a esse ponto. De ouvir os pássaros da minha janela e perceber que a mamã está a dar de comer aos seus filhotes. De observar e ouvir os estragos causados pelos ventos fortes na cidade.Da sujidade nas ruas molhadas pela chuva. De amar a cidade no seu todo, em que me sinto realmente viva, especial e singular. Para mim, isso é amar e ser amado.
  Vivemos num mundo tão cheio, mas tão vazio que não precisamos uns dos outros. Gostarmos de nós próprios ao ponto de não precisarmos de outra companhia humana, é realmente peculiar.
  Pois então, seremos todos peculiares! Vamos olhar o mundo de outra forma e dar-lhe aquilo que ele precisa. Sem rodeios, devaneios ou lamentações. Tanta preocupação com o fazer e acontecer, para no fim, o famoso nada. Estrondoso! É realmente uma pena.
  Sendo assim, contentar-me-ei com o sol, os pássaros, a chuva e o vento da minha cidade. Deixem os humanos estar. Já estão habituados a sobreviver e ainda assim, prevalecer.

09/05/17

  Aquela sensação de ser grande e pequeno simultaneamente. Nunca gostamos de nada no seu pleno; mas o homem consegue, exclusivamente e unicamente, ser grande e pequeno (e gostar disso!).
  Somos grandes porque evoluímos e adaptamo-nos. Somos grandes porque amamos, e temos o poder para. Mas somos pequenos porque duvidamos, mentimos; e porque não vemos, só olhamos. Somos pequenos porque regredimos depois de evoluir; porque escolhemos amar 10 em vez de 100; somos pequenos porque existimos e não coexistimos e somos pequenos porque evoluímos mas não vivemos.
  Aquela sensação de ser grande e ter poder para, é o que exactamente nos impede de subir e não descer.
  O poder tolda-nos o pensamento. O poder de puder, de agarrar em vez de soltar, de fingir a sorrir, de gostar a amar. Seres perfeitos na sua imperfeição. Seres incógnitos (?) que nunca recordarão. Que memórias serão e terão estes? Uma evolução de uns seres que se dizem humanos sem qualquer tipo de humanidade.
  Pois os outros seres, aqueles que nos dizem que são animais, são na sua imperfeição, perfeitos. Porque amam sem gostar, e são grandes e pequenos não para evoluir, mas sim para viver.

08/05/17

  A raiva do ser e do sentir. A magia corrupta por detrás de cada acto. São como pedras no estômago, que pesam. Como um zoo inteiro em vez de borboletas.
  A raiva do ver e do ouvir. Nada esclarecedor está por vir...enfermo é o sentir.
  A mágoa no olhar é, no entanto, assustador. O sentir tudo que não é nada, porque do cérebro não sobra nada. É enevoado esse sentimento. "O nada que é nada mas que é tudo". Porque no fundo, a mágoa é a raiva do ser e do sentir, do ver e do ouvir.

05/05/17

  O segredo está no medo. Medo de sentir, de ser tocado; medo de procurar e ser encontrado; medo de atingir e deixar-se ir; de ser feliz ou deixar ser; de pensar pouco ou demais; medo de gostar e amar e ser amado.
  O medo controla tudo: as nossas acções, ou a ausência delas. Corajoso não é aquele que não tem medo...corajoso é aquele que, mesmo tremendo, decide viver a sobreviver.
  No fundo, não cabe a nós sentir medo de nada...muito menos do próprio medo ou das pessoas. No caso destas, elas são como livros: A capa pode ser apelativa, ou não; pode ter um bom título, ou não; mas no fim, somos sempre nós que decidimos abrir, ou não, o livro. De o ler, de deixar ir, aventurar-nos na descoberta; e perceber se a leitura foi longa ou rápida, demasiado curta ou longa, ou se a própria escrita é acessível, agradável, criativa e apelativa (orgásmica!).
  Se valeu a pena? Um livro (pessoas) vale(m) sempre a pena. Porque no fim conseguimos abrir o livro. No fim, conseguimos viver com medo, mas ainda assim, vivemos.