terça-feira, 19 de setembro de 2017

19/09/2017

A idade é realmente algo de extraordinário. Ou será o tempo? Ou o valor dele?
Quanto mais o tempo passa e mais experiências vivemos ao chegarmos à idade adulta, percebemos que todos os sonhos de criança, ideias de futuro, inóspitas, no fundo deixam de ser realizáveis.
Chegamos aos 20's a pensar que tudo é possível e que conseguimos conquistar o mundo ao fazer tudo. Sozinhos. Que cada escolha não tem consequências, que são remediáveis no dia seguinte. Nem nos preocupamos muito com o futuro. De todas as décadas, esta é sem dúvida a mais ilusória.
Acabamos por ter tantas possibilidades na vida que não realizamos nenhuma. Andamos à deriva num rio, com a corrente, na esperança em chegar à outra margem dos 30's.
É nos 20's que amamos profundamente, que esquecemos facilmente, que nos magoamos rapidamente. É nos 20's que sentimos mais, mais intensamente e perpétuamente.
É nos 20's que sonhamos mais, com mais frequência. Com mais tristeza.
Sabemos que no fundo já não somos crianças, mas não conseguimos deixar de querer tornar este mundo um sitio melhor, de fazer diferença.
Não conseguimos deixar de amar, viver, as pessoas, as rotinas, os animais, a vida em si, no seu pleno.
Queremos todos acreditar que vamos ser felizes "quando formos grandes" sem deixar para trás a nostalgia do ser pequeno, num corpo grande. No fundo, queremos todos amar e ser amados sem acreditar que podemos sair magoados. Sem acreditar que a tristeza que se sente no âmago do estômago, que quase que chega ao coração, é a eterna ansiedade de que no mundo dos grandes, ninguém sofre sem ser amado.

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